Conhecendo o jogo em que eu o coloquei

“Nem todos os anjos são bons, e nem todos os amigos são fiéis”.
- Agora que o coloquei para dormir o que faremos Ciel? – Perguntei a Ciel, afinal de contas somente ele tinha o direito de decidir sobre a vida de Ryan.
- Espere ele acordar, até lá me traga mais café, por favor.  –Ciel era um verdadeiro viciado em café, acho que o tempo que passou na policia o fez ficar ainda mais viciado nesse belo líquido amargo, mas ao mesmo tempo saboroso.
Chamo- me Paulo, sobrenome? Não o uso há muito tempo acho que depois que me tornei um monstro da sociedade não vejo mais necessidade de usá-lo. Conheci Ciel quando fui preso. Por que eu fui preso? Eu era um estuprador, muito famoso na região norte de São Paulo, mas infelizmente acabei tendo uma verdadeira fascinação em um garoto da redondeza, eu queria aquele garoto embora nunca conseguisse tê-lo para mim. Estuprei vários adolescentes e sentia prazer no que eu fazia afinal desde criança eu era estuprado pelo meu pai e maltratado pela minha mãe. Só que tudo tem a sua hora, em um belo dia, dei de cara com o tal garoto e resolvi colocar meus planos em prática, tudo estava indo bem, mas de alguma forma aquele garoto conseguiu escapar. Não esperava que ele conseguisse ir tão longe a ponto de chamar seu pai, sim sua família era muito famosa na região, seu pai era um grande policial, sua mãe uma grande advogada, o garoto tinha 13 anos e seu irmão tinha 10, era uma família a meu ver comum, eu os conheci logo após ser julgado, fiquei anos na cadeia até que 3 anos após a minha estadia na cadeia comentaram comigo que o irmão mais novo do garoto que eu havia estuprado havia ateado fogo na casa onde morava, os pais do garoto haviam sido encontrados mortos, e o único sobrevivente encontrado havia sido o causador do incêndio um garoto de 13 anos chamado Ryan. Aquele garoto era um prodígio a meu ver, olha que interessante o garoto mais novo havia matado seus pais, e sem nenhum motivo aparente, era muita felicidade para mim, fiquei sabendo que ele iria ficar em um sanatório da cidade, eu tinha que conhecer aquele garoto, eu tinha que ir para este sanatório, mas como? Bem quem sabe se eu fingisse ser maluco não poderia ir para aquele mesmo lugar? E o melhor é que realmente deu certo, eu entrei no sanatório como eu queria e com o tempo ganhei certa “confiabilidade” a ponto de poder ser um ajudante de enfermeiro.
Com o tempo acabei tentando me aproximar do Ryan, mas havia enfermeiras que não deixavam que eu sequer o olhasse, elas sentiam que eu queria mais do que apenas conversar, o que eu queria mesmo era terminar o que eu comecei com seu irmão, o irmão que nunca foi achado, as enfermeiras disseram que ele não se lembrava de ter tido um irmão se lembrava de seus pais e ninguém mais. Para mim isso era muito estranho, afinal ambos eram tão apegados, pelo menos era o que parecia, e agora ele simplesmente não se lembra?
Aquele garoto ele realmente me fascinava, e foi nessa época em que conheci o Dr. Ciel, um cara muito inteligente e muito perspicaz, mas ele também estava de olho na mesma coisa que eu, entretanto ele tinha livre acesso a minha presa, coisa que eu não possuía, ele serviria para que eu pudesse alcançar o meu verdadeiro objetivo, então a única forma seria me aliando a ele, mal sabia eu do verdadeiro objetivo do Dr. Ciel.
- Ciel aqui esta o café – Eu disse entregando- lhe a xícara.
- Obrigado Paulo, sabe eu confiei você durante alguns anos não é? – Ele me perguntou em um tom sarcástico.
- Creio que sim Doutor. – falei com medo do que viria a partir daquele momento, afinal tentara matar Ryan sem seu consentimento.
- Mas sabe o que nunca lhe disse? O meu verdadeiro objetivo – ele disse dando um sorriso de canto de boca
- E qual seria seu verdadeiro objetivo? – Perguntei ainda com uma voz trêmula.
- Meu verdadeiro objetivo infelizmente meu fiel comparsa não inclui você – disse isso jogando uma faca em minha perna me fazendo cair no chão.
- Como você ousa fazer isso? Logo eu que dei tudo o que me pedira logo eu quem buscou o seu amado brinquedo, logo eu que fiz tudo por você, por que seus planos não me incluem? –Perguntei tentando tirar a faca que me machucava
- Simples meu “amigo” você é perigoso para mim, você conhece muito de mim, e isso acaba sendo realmente perigoso, sem contar que eu sou uma pessoa muito bem vista então não posso me dar ao luxo de deixar você vivo meu “amigo”. –Disse isso tentando jogar outra faca em mim.
Sim o Dr. Ciel era uma pessoa realmente sinistra eu já havia notado isso, ele era uma pessoa muito bem treinada na defesa pessoal, e se dava muito bem com facas, mas nunca se quer passou pela minha cabeça que algo como aquilo poderia acontecer.
Rapidamente tirei aquela faca e desviei da que ele estava me jogando, sai correndo rumo a cozinha procurando algo para parar aquele sangramento, achei um pano de prato e o amarrei em minha perna, quando ouvi ele vindo em passos vagarosos para a cozinha.
- Acha que pode correr de mim em minha própria casa Paulo? Quão ingênuo é você, eu posso prever cada um de seus movimentos, já conheci vários loucos então conheço os passos de cada um. – Disse ele soltando em seguida uma gargalhada.
- Bem doutor, eu acho que você se esqueceu de uma única coisa, eu não sou um louco, eu sou um estuprador assassino que fingia ser louco para alcançar meu verdadeiro objetivo. –Disse isso e em seguida lhe atirei uma panela, infelizmente o infeliz nem sequer caiu, simplesmente ficou meio atordoado.
Aproveitei o fato de ele ter ficado um pouco zonzo e sai para o quintal, mas ele estava atrás de mim, e com muita raiva, gritava e esbravejava toda a sua fúria, em meio a tudo isso vi um vulto naquele quintal parecia duas pessoas correndo, mas não dei atenção afinal estava correndo pela minha própria vida.
Sai para a rua pensando ter escapado, pobre pensamento o meu, o Ciel chegou e me jogou no chão tentando a todo custo me esfaquear, eu relutava para pará-lo, mas ele era mais forte que eu.
- Paulo eu não posso te deixar vivo entenda, você é o único dos que estão nesse jogo que realmente me conhece de verdade. –Disse isso com um semblante meio triste.
- Seis? Como assim jogo? – pensei que desde o começo era somente eu e ele.
- Acha que mesmo que seria tão fácil assim pegar aquele garoto? Existem outras pessoas atrás dele. – Falando isso me deu um murro no rosto.
- Por que todas essas pessoas estão atrás daquele garoto? – Perguntei indignado afinal eu nem sequer sabia daquele jogo doentio.
- Afinal todas querem receber o premio que foi oferecido para quem matasse aquele garoto. – Disse ele com um tom sério.
- Prêmio? Que prêmio? Quem ofereceu este prêmio? E por quê? – perguntei sem entender nada.
- O prêmio é quase 1 milhão, a pessoa que ofereceu este prêmio não gosta muito de você também, mas fique calmo o por que de tudo isso não te importa afinal você nunca mais irá se encontrar com o seu amado brinquedinho Ruan. –Disse ele me dando uma punhalada.
- Ruan? O Ruan está vivo? Mas nem o Ryan se lembra dele como ele poderia estar vivo? – Perguntei quase desmaiando.
- Bem isso não lhe importa, mas para onde você vai não fará diferença nenhuma essa informação – Disse isso rindo muito.
Quando a policia apareceu e Ciel saiu correndo me deixando ali no chão largado e sangrando. Quando acordei estava em um hospital. Perguntei a uma das enfermeiras o que havia acontecido e ela disse que fui levado para lá por um policial e que logo mais ele viria me fazer algumas perguntas.
Pronto, pensei comigo, tudo que eu não queria neste momento era estar em um hospital com um policial prestes a vir me interrogar, provavelmente irá perguntar o que eu estava fazendo naquele lugar, e se eu sabia quem estava me batendo, eu poderia contar quem era, mas provavelmente Ciel iria contar que eu era um louco e que pertencia ao sanatório da cidade. Eu realmente tinha que fugir daquele lugar, e tentar de alguma forma ajudar aquele garoto que assim como eu está sendo usado por tantas pessoas. Provavelmente todas as pessoas atrás dele vão querer mata-lo a todo custo. Mas o que não sai da minha cabeça era o porquê do Ruan estar fazendo isso com o próprio irmão? Por que ele estava tão obcecado em mata- lo e a única forma de saber de tudo isso é tentar achar o Ryan antes deles.
Decidi esperar a enfermeira sair do meu quarto, assim que ela se retirou, eu levantei e fui em direção à saída do hospital quando de repente vi um conhecido vindo em direção a meu quarto, maldito Ciel, ele me encontrou e estava mesmo disposto a terminar o que começou na noite passada. Rapidamente entrei em um quarto de hospital onde estava um garoto, pobre menino ele quase deu um grito então mais que rapidamente tapei sua boca.
- Garoto eu vou tirar minha mão da sua boca e espero que você não grite – Disse para aquele garoto tirando a minha mão da sua boca.
- Moço o que você quer no meu quarto? – Ele perguntou com lágrima nos olhos.
- Nada, estou somente esperando uma pessoa sair do corredor. – falei observando a fresta da porta.
- Certo, ficarei calado, mas, por favor, vá embora e não me machuque. – Ele disse quase chorando.
- E por que eu iria lhe machucar garoto? – perguntei sem entender o que ele estava a pensar.
- Eu já lhe vi varias vezes na televisão como sendo um dos maiores estupradores dessa região. Sabe o porquê de eu estar aqui? – Ele me perguntou chorando.
- Não faço ideia, porque você está aqui garotinho? – Perguntei com receio da resposta.
- Me chamo Guilherme, mas todos me chamam somente de Gui, estou aqui, pois noite passada quase fui morto, fui estuprado na mesma praça onde você fazia suas vítimas, e o pior sem motivos, por que vocês fazem isso com garotos iguais a mim? O que nós fizemos para vocês? – ele perguntou com um olhar choroso, mas ao mesmo tempo firme.
- Garoto o fato é que eu tenho os meus motivos, você não entenderia, mas cada um de nós tem um motivo diferente. Eu fui criado assim, meu pai me estuprava e minha mãe me maltratava, não conheço a historia de quem fez isso com você. – falei em um tom de pena, afinal pobre garoto, entendo como ele deve estar se sentindo.
- Entendo, mas sabe moço, você deveria tentar ser uma pessoa melhor, hoje em dia não há mais necessidade de tudo isso, afinal você está correndo por causa dos erros que um dia você cometeu não é verdade? – ele perguntou mais calmamente.
Aquelas palavras perfuraram minha alma de alguma forma eu realmente comecei a pensar em parar com a maldade, mas por que eu pensei isso? Não conseguia compreender o que estava acontecendo era como se no meu pensar em parar uma luz me acalmasse.
- É verdade Gui, realmente você tem razão agora estou correndo dos erros que cometi em um passado, mas eu posso tentar parar tudo isso. – Falei olhando para ele e dando um sorriso sincero.
- É mesmo como? – Perguntou ele eufórico, mas ao mesmo tempo com medo da resposta.
- Eu vou salvar um garoto que está sendo caçado para morrer, ele precisa de ajuda e eu o coloquei nisso tudo acho que devo ao menos ajuda-lo a sair dessa encrenca. – falei soltando um sorriso e uma lagrima nesse momento caiu de meus olhos.
- Certo moço é assim que você deve fazer neste momento, então tome, este é o meu endereço se algum dia precisar de ajuda para você ou para este garoto pode contar comigo e com meus pais. –Disse isso me entregando um papel com um endereço.
- Seus pais? Eles não iriam ficar furiosos? – perguntei sem entender o porquê de tudo aquilo.
- Não senhor, meus pais não sentem ódio eles sentem pena, pois o que aconteceu comigo serviu para me deixar mais forte embora tenha sido horrível tenho pena das pessoas que fazer coisas assim com garotos iguais a mim, eles não conhecem a verdade estão cegos pelo ódio e pela vontade de vingança, por isso lhe digo que o ajudaremos caso seja necessário. Agora aproveite e vá para fora do hospital, vou apertar esse botão que irá causar um tumulto no meu quarto então aproveite e corra. –dizendo isso apertou um botão que soltou um alarme.
Durante a confusão que Gui causou consegui sair do hospital, agora a única coisa que tenho que fazer é achar o Ryan, pois se o Ciel está aqui no hospital provavelmente o Ryan não está em sua casa, afinal ele não deixaria seu brinquedo sozinho a não ser que ele já o tenha matado. Não o Ryan não está lá, aquele vulto de ontem, provavelmente um deles era o Ryan ele deve ter aproveitado a chance para fugir daquela casa, mas com quem será que ele está?

Bem isso não importa, vou achar o Ryan e ajuda-lo a fugir dessas pessoas, pois prometi ao Gui que iria mudar.

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